Glossário

GLOSSÁRIO

Achegas ao léxico liberdianoético…

Essencialismo informacional: modo de conceber a informação a partir de uma relação essencial entre sintática e semântica. Mais próximo de um olhar universalista – ou seja, da procura por categorias invariáveis, a compreensão do mundo como um sistema natural regido por padrões -, o essencialista tende a acreditar em uma unidade a priori para todo o conhecimento e, logo, uma homogeneidade enraizada, passível de definição, homogeneidade esta prevista dentro da realidade e de seus modelos de metarrepresentação – um sistema de classificação, por exemplo, pode, neste olhar, representar com acuidade permanente o complexo de signos de uma área do conhecimento.

Imperativo mimético: norma da razão ou “mandamento” das práticas informacionais no contexto de formação e delimitação da epistemologia da Ciência da Informação. Para o filósofo da Academia, a prática do registro pode ser tomada como a representação (imitação da linguagem) da representação (imitação do pensamento) da representação (imitação do mundo inteligível). Explicitado de outra forma, poderíamos conceber a cadeia miméticada seguinte maneira: Mundo inteligível/Outramundanidade (o “grau zero da imitação”); Mundos miméticos/Estamundanidade. Com o desdobramento, teríamos: Mundo do pensamento – estados mentais (1a imitação); Mundo da linguagem oral – discursos (2a imitação); Mundo das inscrições da linguagem – ícones (3a imitação); Mundo das cópias dos ícones – reproduções (4a imitação); Mundo das meta-linguagens – meta-representações (5a imitação).

Maravilhoso informacional: hiper-culto à informação no século XX, resultando no desenvolvimento da metafísica da informação. A informação se torna bem comum de diferentes saberes. No âmbito dos saberes chamados científicos, ganhará status de objeto. Assim, a informação, enquanto maravilhoso do século XX, também se torna elemento do discurso dos
“doutos”. Cientistas e pesquisadores passam a estudar a informação em todas as suas “aparições”, ou “epifanias” – vide o conceito de Borko (1968). Regimentar o milagre do aparecimento da informação é o labor deste personagem histórico. Sua prática retira
da informação seus significados, a esvazia, tornando-a objeto, coisa. O romance e as narrativas fílmicas tratadas como o gênero da ficção científica serão as manifestações representativas desta condição, apresentando a série de maravilhas ofertadas pelas
mutações e pandemias tecno-informacionais.

Pragmatismo informacional: mode de apropriação do conceito de informação e das práticas informacionais a partir da categoria do uso. Mais próximo de uma análise contextual de cada categoria -, o pragmatista tende a descrever o conhecimento como o resultado de uma construção solidária de significados em torno de comunidades específicas, uma construção nunca delimitável – um um tesauro sobrevive, nesta abordagem, sob a instabilidade das possibilidades de transmissão, e pode ser tomado como inadequado ou ineficiente, mesmo representando uma área especializada do conhecimento de forma acurada. Isto ocorre, pois, aqui, menos importa a segurança representacionista, e mais a usabilidade da estrutura criada pela gramática destes instrumentos de organização do conhecimento.

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